Faculdade Anglo Americano | Caxias do Sul

OXI – Um futuro previsível

De R$8,00, passou para R$2,00. O que achávamos impossível, agora existe: uma droga mais devastadora que o crack… O Oxi.

Mapa da Droga


Não é de hoje, o Oxi surgiu no Brasil quando entrou pelo Acre, vinda da Bolívia e Peru, na década de 1980. Essa nova droga provoca o dobro da euforia provocada pela cocaína. É o que todo usuário de drogas quer e necessita.
Por ser mais barata e mais viciante devido à sua composição (mistura de derivados de petróleo, cal, permanganato de potássio e solução líquida usada em bateria de carro), os usuários do crack aderiram a essa nova “onda” que vem se espalhando pelo Brasil desde o início de 2011. Muitas vezes, sem querer. Ela é muito parecida com o crack, e os ‘boqueiros’ vendem o oxi como se fosse crack. A diferença entre as duas está na fumaça, que no caso do crack é mais branca, ou pelos resíduos: o crack deixa cinzas, enquanto o oxi libera uma substância oleosa. O Oxi, por ser mais forte, é também causador de mais danos ao organismo. O que achávamos que seria impossível, hoje é realidade.

Pedra de Oxi

O agente penitenciário André, de 34 anos, morador de Rio Branco, no Acre, conhece bem os efeitos do oxi. “Quem usa chama de veneno”, diz. Como todo veneno, é traiçoeiro. André descreve o gosto da fumaça como algo “gostoso”. “Pega mais, dá uma viagem.” Não demora e surgem os efeitos adversos – dor de cabeça, vômitos e diarréias. E paranóia. André diz que ouvia vozes. “Era o demônio falando no meu ouvido.” Os efeitos também são físicos. “Via muitos usuários sujos de vômito e diarréia.” Mesmo assim, André não conseguia abandonar o uso. Vendeu o que tinha para comprar pedras. “Pedia aos boqueiros (quem trabalha nas bocas de fumo) que passassem na minha casa e pegassem tudo.” Geladeira, fogão, DVD, um a um, todos os móveis e eletrodomésticos foram trocados por pedras brancas. “Só não troquei a vida”, diz André, que está internado numa clínica ligada a uma ONG em Rio Branco. Ele afirma que só buscou tratamento porque, desempregado, não tinha mais dinheiro para abastecer o vício.

No primeiro momento, o oxi era usado pelas classes sociais mais baixas e por místicos que iam ao Acre atrás da Ayahuasca (chá alucinógeno usado em cerimônias do Santo Daime). Hoje, por ter chegado à capital Rio Branco, é consumida por todas as classes sociais.

Sintomas do Oxi


O estudo incompleto da nova droga sugere que, pela facilidade com que é produzido, o oxi pode subverter a lógica usual do tráfico. Não há um fornecedor fixo que distribui um só produto. A droga é produzida em casa, de forma primitiva e artesanal. Uma nova organização do tráfico poderia exigir uma mudança na forma de repressão policial. Para combater o oxi, não temos de caçar apenas grandes traficantes, precisaremos de uma polícia ativa, que atue diretamente nos pontos urbanos.
Também é preciso que o serviço de saúde tenha exata noção das substâncias que compõem o oxi, a fim de entender seus efeitos e propor tratamento adequado. Por enquanto, faltam estudos laboratoriais que atestem a composição da substância.

O Brasil suspeita, mas não tem certeza do que é feito o oxi. Saber é o primeiro passo de uma longa batalha contra a nova droga.

Escrito por: Rafaela Baldissera
twitter: @rafabaldi

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